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Canto da Teia, Andar de Baixo, Lisboa (2025)
«Hugo Bernardo trabalha na fronteira entre o gesto e o tecido. No bordado a linha abandona o papel e ganha espessura: torna-se corpo, sutura, respiração. O seu cortinado é pele permeável, membrana onde a luz hesita antes de passar. Cada ponto é um acto de escuta - uma escrita paciente que não pretende fechar-se, mas revelar-se na delicadeza do fio. Em suspensão, no lugar onde o silêncio dessa espera se cose, lentamente, flutuante, eclodem figuras como mar ou vida». – Federica Elena, Canto de Baixo, Canto da Teia (excerto), 2025 |
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Anéis de Saturno, Halo Project - G. Tereza Seabra, Lisboa (2025)
«Uma série de objectos gravados, esculpidos e suspensos (…) móbiles, simulacros de artefactos de pseudo-arqueologias e elementos divinatórios, materializados em seis peças alusivas de um eixo cosmogónico, uma ode que se circunscreve enquanto anel e um elo que se interliga. Na forma deste caminho ao Sol, a figura do casal que se reclina e vincula, e ainda Quíron como símbolo dessa viagem. O fogo do espírito incerto e a ferida eternamente por curar…». – Hugo Bernardo, Anéis de Saturno, 2025 (excerto) |
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Torre de Silêncio, Dialogue Gallery - Ermida, Lisboa (2024) Marta: Hugo, existem dois elementos suspensos na exposição, pintados na frente e verso. E também “suspenso” é o som, incitando ao transe. Por outro lado, há trabalhos que evocam a gravidade e opacidade, da pedra talhada. Como pensaste estes diálogos? Hugo: São figuras esvoaçantes, discos e faces lumínicas, simulacros e evocações, tal como o fumo da Torre de Silêncio (altar zoroastra), o chamamento do Minarete, o eco do muezzin e a luz da Estela Babilónica (…) estes símbolos solares ou lunares, giram como um sufi dançante, um átomo em turbilhão e embriaguez, (…) como magia. O sacrifício destas imagens de forma provisória e momentânea (como a casa miniaturizada de Andrei Tarkovsky), num plano alto e compacto, superfície neutra e fundo de cena, actuam como espaço oculto e eixo em torno do qual tudo gira. – Marta Mestre com Hugo Bernardo e Jordi Burch, 2025 (excerto) |
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Entre Margens, Galeria VN Barquinha, Lisboa (2024) «Assim se faz a história da arte, de encontros (desencontros), de pequenos (grandes) passos, de descobertas (encobrimentos), de viagens aos artistas do passado e projecções nos artistas do futuro. Cada momento de encontro é o continuar de um caminho, é um princípio de caminho, e não há fim para cada um desses começos. Olhar e fazer; ver de uma maneira diferente e dar a ver de uma maneira diferente; confrontarem-se e confrontarem-nos com a liberdade da poesia, do delírio, da dor, da ironia, da critica, da raiva, do amor (…) a paisagem exterior e interior, o que nos rodeia e o que nasce, vive e vibra dentro de cada um». – João Pinharanda, Entre Margens (Encontro de artistas), 2024 (excerto) |
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Mirror Maze, Museu de História Natural e da Ciência, Lisboa (2024) «Quando entramos na exposição Mirror Maze recuamos no tempo e no espaço (...) onde também se encontra o resgatar do olhar e da pausa refletida pela duplicação das imagens, como um labirinto de espelhos. (...) As imagens distorcidas, a sua representação iconográfica como é que elas migram, se alteram, se misturam e entram num jogo de imagens, feitiço, como se a arte fosse uma coisa mágica, onírica, de dimensão poética de sonho. (...) Onde nos espelhos se reproduzem as silhuetas dos visitantes que são transformados em imagem.» – Sofia Marçal, A emersão do espelho (Mirror Maze), 2023 (excerto) |
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Stella, Espaço Pontes, Fundão (2023) «A Serra da Gardunha na sua substância é profundamente polissémica; através de narrativas ou modelações mais científicas das suas coordenadas identitárias (...) o seu carácter ficou expresso na oralidade; Uma lógica das diferentes realidades (Território/Universo) (...) a cosmogonia do lugar; algo difícil para a complexidade da nossa contemporaneidade!» – Pedro Novo, Stella (excerto), 2023 |
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Triângulo, Brotéria Galeria, Lisboa (2021)
«Em 1967, Bruce Nauman desenhou uma espiral néon, no interior da qual podemos ler as letras azuis que dizem: The true artist helps the world by revealing mystic truths. O contéudo da mística é a própria natureza do mistério, o assombro, o espanto, o indizível. Contudo, também o acto de revelar é parte integrante do funcionamento da mística, do sagrado e do oculto. (...) Independentemente do que possa significar ser um verdadeiro artista, poderemos reconhecer que existe uma nostalgia demiúrgica no fazer das práticas artísticas. Persiste, sob a ideia de artista, uma sombra dos atos de culto: há uma proximidade entre a produção do mundo da arte e a construção atemporal de símbolos. (...)» – Galeria Brotéria (João Sarmento SJ), Triângulo (excerto), 2021 Mastaba, Fundação D.Luís, Cascais (2021) DB. Que relação estabeleces entre a duração sonora e o fazer artístico? HB. O som interessa-me pela sua evanescência e espacialidade. No seu silêncio surge a miragem de uma experiência transcendente. DB. Sabias que os monges tibetanos desenhavam com o auxílio de um ovo de madeira a realidade enquanto extensão da mente. Imagina um lugar que gostarias de aceder ou um sítio que não tivesses visitado, como é que voltarias? HB. Penso que a criação será sempre sobre essa viagem sem retorno... – Diogo Bolota à conversa com Hugo Bernardo, Mastaba (excerto), 2021 True Node, Galeria Mota Galiza, Lisboa (2020) «Em “Meta-Reflexo”, (...) a instalação apresenta cabeças de proveniências diversas, parte da pesquisa (maioritariamente em pintura) do artista. De figuras mitológicas a futuristas, num emaranhar de perspectivas e combinações. Um dispositivo que joga com as transparências e permite a alternância entre aquilo que reflecte e aquilo que permanece: possibilitando novos ângulos a cada olhar, e entendimentos diversos de um “todo” fragmentado, de um “eu” composto. O espelho, o vidro: sujeitos ao movimento, à luz, à arquitectura, ao outro e a nós próprios». –Carolina Trigueiros, True Node Parte II (excerto), 2020 Objecto Anamórfico, Museu Geológico, Lisboa (2017) «O objecto seduz. Volta-se a ele. Observando a sua forma deste e daquele ângulo. Representando-o maior ou mais pequeno. Observando como o tom do objecto muda com o tom da cor. Encontrando ligações entre objectos distintos. Tentando desvelar os seus segredos, criar uma intimidade, possuí-lo através do retratar. E a intimidade pode tornar-se tal que, o que se quer em certas alturas é reformular o objecto, distorcê-lo, moldá-lo, qual Pigmalião num círculo vicioso. E assim chega-se ao objecto anamórfico, o objecto formado de novo, a partir de um outro já existente, do qual deriva a estrutura de base, metáfora que existe nas artes e nas ciências. No entanto, talvez qualquer objecto artístico seja anamórfico, entendendo-se que qualquer representação seja criar novamente, mantendo pontos de referência, nalguns casos mais, noutros menos, mesmo nos contextos mais abstractos». – Eva Oddo, Objecto Anamórfico, 2017 (excerto) |



































